Educação
Mais da metade dos gaúchos é contra o retorno das aulas presenciais
Pesquisa do IPO aponta que 55,8% aprova a volta somente após a vacinação de toda a população
Nesta segunda-feira (12), o Instituto Pesquisas de Opinião (IPO) esteve na Assembleia Legislativa apresentando o resultado da pesquisa Impactos da Pandemia na Educação. E para 55,8% dos entrevistados, as aulas presenciais só devem ser retomadas quando toda a população do Rio Grande do Sul estiver vacinada contra a Covid-19.
Para 55,8% dos entrevistados, as aulas presenciais só deveriam retornar no Estado após a imunização de toda a população. Entre as justificativas está a falta de condições estruturais nas escolas que possam oferecer segurança sanitária à comunidade escolar. Pais que têm filhos em escolas públicas apresentam maior preocupação com o retorno das aulas, sobretudo aqueles com filhos nas escolas estaduais. Para 20,7% as aulas presenciais só devem retornar após a vacinação de professores e funcionários, enquanto para 23,5% as aulas deveriam ser mantidas sempre que possível.
A população economicamente ativa, que tem filhos na educação infantil, tem maior dificuldade em deixar a criança sob supervisão de alguém enquanto precisa trabalhar. Além do aprendizado, demonstram preocupação com a socialização da criança e, mesmo com dúvidas sobre a sua maturidade para lidar com os protocolos sanitários, a maioria é favorável às aulas presenciais.
Há uma divisão entre os pais ou responsáveis de crianças e adolescentes em idade escolar sobre as condições para o retorno das aulas, com 51% sendo contra e 49% a favor. A principal diferença neste público está na instituição de ensino às quais os filhos frequentam. Entre aqueles que dizem não haver condições de retorno, 55,3% são da rede pública. Por outro lado, entre quem acredita que há condições para a volta às aulas, 70,6% estão na rede privada.
Dentre os motivos apontados estão: não acredita que haverá higienização nas escolas (17,3%), falta de vacina (15,3%), estrutura limitada das escolas (13,7%), imaturidade dos alunos (10,6%) e risco de contaminação (9,8%).
Dificuldade para acompanhar
Segundo a pesquisa, os pais estão com receio do déficit de aprendizagem do tempo em que os filhos estiveram em aulas não presenciais. Pra recuperar o tempo perdido, eles apontam que primeiro se identifique quais são as lacunas dos alunos, retomando o conteúdo que foi dado nesse período. Depois, deve-se ter turnos inversos ou horários de reforço para corrigir o que ficou frágil, ampliando a carga horária.
“O maior importe é a necessidade de reforço escolar, de recuperação de conteúdo, de um plano para que as crianças reponham aquele conhecimento que foi perdido pelas aulas remotas. Isso é de extrema importância. Que todos os gestores de escolas precisam verificar a ampliação de carga horária. Não pode voltar como se nada tivesse acontecido, tem que haver um planejamento de recuperação. Isso é vital tanto para as escolas públicas como para as privadas”, diz a diretora do IPO, Elis Radmann.
De acordo com a cientista social e política, essa ampliação de horários pode acontecer de forma remota. “O sistema híbrido de educação veio com a pandemia e ele pode se perpetuar. O aluno pode voltar às aulas presenciais e receber reforço de conteúdo por tecnologia. Inclusiva a Assembleia debateu a possibilidade de auxiliar a secretaria de educação estadual na compra de equipamentos”, destaca.
Entre os inúmeros motivos que a pesquisa aposta como causadores desta dificuldade em acompanhar as aulas, dois se destacam: ter concentração (27,2%) e acesso à internet (22,3%). “O problema não é a internet, mas os equipamentos. Muitas vezes o pai tem o celular em casa, mas precisa sair e leva ele embora, para o trabalho, e as crianças ficam sem equipamento. A grande discussão é reforço escolar com assistência, inclusive remota se as escolas não tiverem condições”, conta Elis.
Participação da família
Outro aspecto abordado pela pesquisa do IPO foi a participação das famílias no ensino remoto. Quase a metade das famílias (47,8%) estão participando mais da educação formal dos filhos. Por outro lado, 28,5% dizem estar participando menos. O estudo aponta que este comportamento é similar entre os pais de todos os tipos de escola. Entretanto, a menor participação está entre pais com menor renda e educação formal.
Entre as pessoas que possuem filhos em idade escolar, 70,9% acreditam que o modelo sem aulas presenciais não está sendo eficiente, enquanto 28,2% dizem que o método é eficaz. Para 29,8% do grupo que não acha o modelo eficiente, o principal problema é a falta de aulas de reforço/rever o conteúdo. Para 70,8%, os jovens tem problema para acompanhar as aulas remotas.
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